O que e Grindcore? História, Bandas e 24 Discos Essenciais do Estilo

Grindcore explicado: descubra o que é o gênero, suas origens, principais bandas e discos fundamentais para conhecer.

Banda Napalm Death tocando ao vivo em 1991, público em mosh pit, representando o estilo grindcore.
Napalm Death em 1991 – o caos e a velocidade que definiram o nascimento do grindcore.

Introdução

De forma imprecisa e simples, podemos dizer que o grindcore é uma fusão do metal extremo com o crust punk. Mas sua característica livre e exploratória gerou um gênero diversificado que incorpora elementos de outras formas musicais, como industrial e eletrônico, ao mesmo tempo em que origina uma variedade estonteante de ramificações. Neste artigo, definimos o que é grindcore, resumimos sua história e listamos bandas e discos essenciais para começar — ou aprofundar — sua jornada.

Até por isso, definir o que é o grindcore não é tarefa fácil nem mesmo por parte de seus admiradores. Parece ser um estilo nascido das premissas contestadoras básicas do punk/hardcore, tanto artísticas quanto políticas, mas que é aceito de braços abertos pelos devotos das vertentes mais extremas do heavy metal. Em outras palavras, é um território de encontro entre postura radical e experimentação sonora.

O que é Grindcore?

Apesar de parecer ser apenas uma soma entre hardcore e death metal, o grindcore vai além: trata-se de um conjunto de práticas sonoras e performáticas que priorizam blast beats (batidas ultrarrápidas de bateria), vocais extremos (guturais, gritados e por vezes ininteligíveis), guitarras densamente distorcidas e músicas curtíssimas (com frequência abaixo de um minuto). O foco está menos no virtuosismo tradicional e mais na intensidade, na crítica social e na ruptura estética.

Na biografia de Chuck Schuldiner e do Death (saiba mais aqui), Rino Gissi sintetiza: “trata-se de uma sub-ramificação do heavy metal que apresenta características sônicas e estéticas ainda mais extremas que as do death metal. No grind não há espaço algum para a melodia e os álbuns dessa corrente reúnem uma sequência impressionante de músicas que às vezes não duram mais do que alguns segundos”. Ainda que existam exceções, a regra do gênero é condensar ideias em ataques sonoros velozes e diretos.

Características técnicas e estéticas

De modo objetivo, o grind se apoia em andamentos elevadíssimos, timbres ásperos e letras que alternam crítica social, humor negro, escatologia e absurdo. A produção costuma privilegiar a crueza (som pouco polido, propositalmente “áspero”), o que reforça o choque estético. Em palcos menores, a proximidade física entre banda e público intensifica a catarse coletiva — parte integrante da experiência grindcore.

capa do álbum Scum Napalm Death 1987.
“Scum” (1987) – álbum seminal que definiu o grindcore. Clique aqui para conferir!

Napalm Death: O Arauto do Grindcore

O precursor do grindcore foi o Napalm Death, banda originária de Birmingham, o berço do heavy metal, com seu primeiro álbum, “Scum”, lançado pela Earache em 1987, contendo 28 músicas em pouco mais de meia hora.

Como um dos principais arautos do grindcore ao lado do Repulsion, o Napalm Death era a velocidade, a violência e a ruptura com qualquer tipo de estética e regra,  em forma de música.

O Napalm Death pretendia tocar uma música que mesclasse a agressividade direta e a consciência social do punk hardcore com a brutalidade e teatralidade de outro gênero em desenvolvimento: o death metal.

A formula era simples: vocais ininteligíveis, letras contestadoras (seja em estética ou em conteúdo), ritmo insano, guitarras produzindo riffs e servindo de massa sonora, além de um baixo que acompanhava a bateria em suas levadas à velocidade da luz.

A ideia musical não era complicada, mas seu poder vinha não só da agressividade. A ousadia permitia misturar tudo o que fosse mais sujo, violento, crú e anti-musical, desde o punk rock escandinavo, ao hardcore norte-americano, passando pelo D-Beat do Discharge, o crust de bandas como Crude S.S., Amebix e Anti-Cimex e e até o thrash metal europeu.

Somava-se à fórmula o discurso político que era urrado, contrapondo a qualquer tipo de técnica ou estética, e voilà, tínhamos um novo estilo, um grito de total insanidade contra tudo e contra todos!

As Mutações do Grindcore

Após o Napalm Death e o Repulsion, algumas bandas desenvolveram o grindcore a novos horizontes de temática e fusão com outros estilo. Começando com o clássico primeiro disco do Carcass, “Reek of Putrefaction” (1988), o gênero evoluiu em todas as direções, adicionando uma camada extra de teatralidade, distorção de guitarras e várias outras explorações musicais e temáticas.

Com isso, o grindcore se tornou um gênero livre, onde exageros e exotismos eram sempre bem-vindos  e o fluxo livre de ideias musicais extremas se chocavam e criavam coisas que beiravam o inclassificável.

Nesse caminho surgiram os subgêneros mais extremos do grindcore, como goregrind, pornogrind, o cybergrind, o mathcore e o noisegrind, por exemplo. Além disso, fusões com estilos como rock progressivo, jazz, black metal e até música erudita geraram discos de altíssimo valor artístico, como o bizarríssimo e genial “Grand Guignol” (1992), da banda Naked City, capitaneada por John Zorn.

Qual Diferença Entre Grindcore e Death Metal Brutal?

Quem já ouviu Dying Fetus e Lock Up, exemplos de bandas fáceis de confundir os ouvintes se são grindcore ou death metal brutal, pode se perguntar, o que diferencia os dois estilos?

Podemos dizer que o death metal é um estilo musical brutal, mas que ainda carrega muito senso melódico e virtuosismo. Existem solos de guitarra, padrões de bateria complicados, vocalistas com técnicas bem desenvolvidas de vocal gutural e que no fim das contas se preocupam com o desempenho musical.

grindcore, por sua vez, é uma expressão artística do caos, onde a música, mesmo sendo a principal, é apenas uma das partes do todo. Para algumas bandas existem motivos filosóficos e sociais na sua arte (como o Napalm Death e o Brutal Truth), para outras a estética, a performance e a rebeldia em explorar os extremos é o que importa (como no caso do Anal Cunt e do Last Days of Humanity). Em ambos os casos, a música é apenas um veículo, não um objetivo.

Mas não há como negar que em termos apenas musicais existe uma zona intermediária entre os dois gêneros, onde a união da pancadaria do grindcore com o death metal gerou bandas rotuladas como deathgrind e excelentes como o Terrorizer, o Macabre, o Lock Up (um dissidência do Napalm Death), o Exhumed, o Brujeria e o Cattle Decapitation.

Em suma, o deathgrind usa vocais guturais baixos de death metal e gritos agudos de grindcore, embora também possua o tecnicismo do death metal e a intensidade do grindcore. As estruturas das músicas freqüentemente apresentam mudanças bruscas ao contrário da maioria das bandas de grindcore e as músicas são em geral bastante curtas, mas não tão extremamente curtas quanto no grindcore.

Banda Carcass em 1988 durante a fase do álbum Reek of Putrefaction, marco inicial do grindcore.
Carcass em 1988 — juventude e crueza na era Reek of Putrefaction, um marco do grindcore.

Bandas de Grindcore para começar (e continuar)

Se a pergunta é “O que é Grindcore?” a melhor resposta, além da definição, é ouvir. Abaixo, uma seleção de discos — um por banda — que mapeia vertentes, épocas e abordagens. Ela funciona como trilha de estudo e prazer culposo, com sangue, suor e ruído em alta rotação.

As 24 bandas e discos essenciais do Grindcore

Agora, vamos enumerar os principais discos de grindcore tendo como critério a escolha de um álbum único de cada banda. Com isso, trazemos uma lista de bandas de Grindcore e títulos essenciais do estilo. O títulos em azulcontém links para o respectivo disco.

  1. Napalm Death — From Enslavement To Obliteration (1988)
  2. Carcass — Reek of Putrefaction (1988)
  3. Terrorizer — World Downfall (1989)
  4. Repulsion — Horrified (1989)
  5. Brutal Truth — Extreme Conditions Demand Extreme Responses (1992)
  6. Extreme Noise Terror — A Holocaust in Your Head (1991)
  7. Nasum — Inhale/Exhale (1998)
  8. Pig Destroyer — Prowler in the Yard (2001)
  9. Discordance Axis — The Inalienable Dreamless (2000)
  10. Cephalic Carnage — Xenosapien (2007)
  11. Anaal Nathrakh — In the Constellation of the Black Widow (2009)
  12. Virulence — A Conflict Scenario (2001)
  13. Nails — Unsilent Death (2010)
  14. Assück — Anticapital (1992)
  15. Cattle Decapitation — Monolith of Inhumanity (2012)
  16. Rotten Sound — Exit (2005)
  17. Exhumed — Slaughtercult (2000)
  18. Macabre — Dahmer (2000)
  19. Arsedestroyer — Teenass Revolt (2001)
  20. Insect Warfare — World Extermination (2007)
  21. Trap Them — Darker Handcraft (2011)
  22. Agoraphobic Nosebleed — Frozen Corpse Stuffed With Dope (2002)
  23. Regurgitate — Carnivorous Erection (2000)
  24. Anal Cunt — 40 More Reasons to Hate Us (1996)

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