O Rock Brasil Anos 80, conhecido também como BRock, marcou uma explosão criativa que revelou ícones como Legião Urbana, Titãs e Paralamas do Sucesso, mas também produziu bandas esquecidas. Neste artigo, revisitamos o lado B das Bandas de Rock Nacional que deram cor e energia ao rock brasileiro.

Introdução
O sucesso comercial de um estilo musical traz uma consequência pouco prodigiosa: a saturação. É assim desde tempos idos e com a explosão do rock nacional no início da década de oitenta não foi diferente.
Após a Blitz tomar de assalto as rádios de todo o país com os sucessos arrebatadores das canções “Você Não Soube Me Amar” e “A Dois Passos do Paraíso” por volta de 1982, outros nomes surgiram buscando um lugar ao sol.
O sucesso da Blitz foi tão grande que seus membros chegaram a se tornar personagens de histórias em quadrinhos e protagonistas de um álbum de figurinhas.
Claro que o Rock Nacional não começava ali com a Blitz (como ja explicamos no artigo que conta como era o rock brasileiro antes dos anos 1980), mas o sucesso era tão grande e a exposição tão massiva que parecia que tudo estava começando ali, com eles. Foram quatro anos meteóricos e uma influência ímpar no cenário, mostrando que a new wave tinha aportado em solos brasileiros.
O restante da história é conhecido, o movimento musical batizado de BRock por Nelson Motta não se restringiu a um estado brasileiro específico, revelando nomes importantes para o rock tupiniquim como Barão Vermelho, Titãs, Legião Urbana, Capital Inicial, Nenhum de Nós, Camisa de Vênus, Engenheiros do Hawaii, Paralamas do Sucesso, dentre outros que seguiram por anos a fio, com carreiras sólidas e álbuns relevantes.
Entretanto, o sucesso do estilo fazia com que surgisse uma nova banda a cada dia e inúmeras delas foram bandas de um álbum só, ou de apenas uma música de sucesso, sendo relegados ao lado B do rock nacional oitentista.
Neste contexto, com o passar do tempo, se tornaram esquecidas do público e que serão rememoradas hoje, neste texto. Sendo assim, retornemos a época das fitas K7, e desfrutemos o lado B do rock brasileiro dos anos 80 em seis canções em alto e bom som.
Mas mantenha a caneta Bic a postos, pois vai que a fita enrola durante a execução!

5 Melhores Livros Sobre o Rock Nacional:
- Dias de Luta: O rock e o Brasil dos anos 80
- Brock: o rock brasileiro dos anos 80
- Guia Politicamente Incorreto dos Anos 80 Pelo Rock
- Meninos em fúria
- Cheguei bem a tempo de ver o palco desabar: 50 causos e memórias do rock brasileiro
Omar e os Cianos
Um nome interessante (trocadilho da expressão “o mar e os oceanos”) para uma banda que sumiu tão rápido quanto apareceu. Omar e os Cianos era uma banda de new wave/synth-pop paulista, que teve vida entre os anos de 1983 e 1985.
Sua sonoridade é baseada no eletro-pop comum nas rádios dos anos 80 que, apesar da originalidade e da interessante canção “Abominável Homem das Neves”, não nos brindou com um LP completo, participando apenas de algumas coletâneas e lançando um compacto.
Além da canção que traz o Pé Grande como personagem principal, a canção “24 Horas no Ar” foi parte da trilha sonora do filme “Rock Estrela” (1986) e foi lançada num compacto duplo com “Coisa do Além”.
Joe Euthanásia
Joe Euthanásia, nome artístico de Zezinho Athanásio, nascido em 1955, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, foi um músico que iniciou a carreira ainda nos anos 70, participando de festivais (como o MusiPUC (PUC-RS) em 1975).
No início, fazia música mais voltada ao cenário regional gaúcho, com influências folclóricas/geográficas. Tendo integrando bandas de apoio de nomes como Ivan Lins, até se dedicar a carreira solo a partir de 1984, quando lançou um compacto via CBS e trazia como banda de apoio Paulo Simas nos teclados, Marcos Lessa no baixo e Lobão na bateria.
Nesta fase da carreira, mudou de estilo, radicou-se no Rio de Janeiro e/ou atuou também em São Paulo, adotando uma sonoridade que dialogava com pop, rock, new wave, sintetizadores etc. A canção se chamava “Me Leva Pra Casa”, e seu clima hard/pop rock alvancou seu sucesso nas rádios brasileiras que vivam a febre o rock nacional.
Sua discografia não se limita apenas a este lançamento, pois em 1985 chegaria às lojas o LP “Tudo Pode Mudar”, com sucesso considerável da faixa-título, que inclusive foi gravada por outra banda oitentista, o Metrô, assim como”Johnny Love”, outra composição de Joe Euthanásia, gravada pela mesma banda.
Em 20 de dezembro de 1989, faleceu vítima de um acidente de carro em Porto Alegre, pouco depois de lançar seu álbum “Joe”.
Anibal
Outro cantor que fez sucesso relativo nos anos 1980 e depois sumiu do mapa foi Anibal. Natural de Fortaleza, ele se dedicou a uma mistura de rock/MPB dos anos 80 no Brasil, influenciado por Cazuza e Ritchie.
Poucas são as informações sobre sua carreira, sendo que Aníbal pode ter participado de uma banda chamada Cheque Especial, com música chamada “Pronta pra Estudar”, mas isto ainda é incerto. Existem rumores em fóruns da internet por parte de fãs de que ele teria se tornado DJ ou produtor musical, usando nome artístico diferente.
Sua canção “Alguém”, lançada em 1989 no álbum “Carência”, lançado via RCA, teve repercussão nas rádios e apresentava uma mistura de Legião Urbana com Ritchie, investindo em boas letras.
Infelizmente, mesmo com outras músicas indo para as programações das rádios, como “Guerra Santa”, o álbum não emplacou e Aníbal desapareceu da mídia pouco depois de lançado o disco!
Telex
Mais uma peça escondida no saturado cenário pop brasileiro dos anos oitenta, o Telex investia numa sonoridade new wave típica das bandas paulistas daquele período, tendo o seu maior prestígio em ser conhecido como a banda de Oswaldo Gennari Filho, o Coquinho, ex-membro da banda Patrulha do Espaço que acompanhou Arnaldo Baptista após sua saída dos Mutantes.
Ao lado do baixista Oswaldo Gennari, estavam Leonardo Giordano (bateria), Maurício Pedrosa (teclados e vocais) e Tadeu “Patolla” (guitarra). Com esta formação, em 1984, o Telex assinou com a gravadora CBS e lançou seu único disco: um compacto simples (single) com a faixa “Só Delírio”.
Em todo caso, a música Só Delírio fez um relativo sucesso e preencheu algumas faixas das coletâneas da CBS como “Rock Wave” (1984) e “Que Delícia de Rock” (1985). Logo depois do lançamento desse single, a banda encerrou suas atividades, sem gravar um álbum completo. Até por isso, são frequentemente citados como um dos grandes “one-hit-wonders” do rock nacional.
Cabe ressaltar que Tadeu Patolla, guitarrista da Telex, posteriormente seguiu carreira como produtor musical. Ele foi importante no cenário rock/alternativo brasileiro, por exemplo com banda Charlie Brown Jr. entre outras.
Absyntho
Por falar em “one-hit-wonder” do rock nacional, temos o Absyntho e sua irreverência carioca como o maior deles.
O Absyntho nasce no Rio com Sylvinho Blau-Blau (voz), Sérgio Diamante (teclados), Fernando Sá (guitarra), Walderley Pigliasco (baixo) e Darcy (bateria), em 1982, experimentando o topo do sucesso de forma meteórica com o compacto de “Meu Ursinho Blau-Blau”, de 1983, vendendo 350 mil cópias, um verdadeiro fenômeno na época para uma banda iniciante.
Em 1984, outro compacto: “Palavra Mágica / Linda Criatura”. O álbum completo só em 1985, o autointitulado lançado pela RCA Victor. Continha faixas como Só a Lua, Lobo, No Balanço do Trem, além dos singles de sucesso. No ano seguinte, lançaram single “Só a Lua / Lobo”.
Porém, o sucesso de “Meu Ursinho Blau-Blau” não se repetiu e a banda encerrou as atividades em 1987, com o vocalista Sylvinho Blau-Blau (vocalista) seguindo m carreira solo.
Buana 4
Uma banda diferenciada das demais supracitadas, o Buana 4 é oriunda do Rio de Janeiro e trazia uma proposta musical diferente do padrão new wave que assolava as rádios.
Formada por Maurício Barros, tecladista e vocalista, que havia deixado o Barão Vermelho, lançou em 1989 um LP autointitulado que trazia canções mais roqueiras que emplacaram, tendo inclusive figurado em trilhas sonoras de novelas da TV Globo. Ao lado de Maurício tínahmos como membros mais importantes o guitarrista Billy Brandão e baixista Gian Fabra, dois nomes importantes do rock brasileiro
O disco completo chegou pela gravadora EMI-Odeon e tinha como carro-chefe a música “Eu Só Quero Ser Feliz”, que apareceu em coletâneas importantes do Rock nacional, e em algumas trilhas sonoras de novela.
Apesar disso, a trajetória da banda foi curta, pois ficou sem gravadora e encerrou suas atividades poucos anos depois do lançamento do único álbum.
Civil
Essa talvez foi a banda mais promissora da lista, mesmo sem ter cunhado um grande sucesso.
Surgida em meados dos anos 80, a banda Civil lançou dois discos que eram apostas do mercado fonográfico que investiu na formação de ótimos músicos como Walter Lopes, Ricardo Henrique, Sidney Pirutti e Marco Trindade.
O primeiro álbum, o auto-intitulado Civil, foi lançado em 1987 sob selo RGE, sendo produzido por Geraldo D’Arbilly. A banda fazia um rock com influência “tradicional” do rock nacional dos anos 80, combina letras meio existenciais ou críticas (“Paranóia”, “Sistema”), com energia de guitarras e arranjos típicos da época.
A composição “Sombras na Calçada” (que teve videoclipe produzido por Boninho, à época diretor da PolyGram/Universal), já no segundo álbum, fez muito sucesso como single, mas não passou disso! Mesmo assim, vale conferir os discos da banda que são excelentes.
Fausto Fawcett
O próximo enumerado de nossa lista é tão lado B quanto cult. Fausto Fawcett é o codinome de Fausto Borel Cardoso, jornalista, escritor e compositor, que buscou numa das maiores atrizes do cinema o seu sobrenome artístico.
Com um currículo destes e tendo uma canção sua na trilha sonora da produção franco-britânica “Lua de Fel”, dirigido por ninguém menos que Roman Polanski, Fausto ainda é um ícone cult do rock nacional dos anos 80, apesar de que rotular sua música de apenas rock é um demérito quanto a sua obra que, liricamente, beira o cyberpunk carioca (se é que isso existe!).
Sua música era uma mistura de rock, spocken word, poesia urbana e estética cyberpunk — um dos primeiros a trazer essa linguagem pro rock brasileiro. Com esta estética musical, criou a banda Fausto Fawcett e os Robôs Efêmeros, unindo música com performance teatral: a formação misturava músicos de rock com bailarinas e elementos visuais futuristas.
No início dos anos 80, já atuava como letrista, poeta e roteirista no circuito cultural carioca, antes de montar banda própria. Por isso suas, músicas ficaram famosas nas vozes de outras pessoas, mas “Katia Flávia, a Godiva do Irajá”, de 1987, foi um estouro quando do lançamento de Fausto Fawcett e os Robôs Efêmeros, um de seus três mais brilhantes álbuns.
Esta canção descrevia uma personagem mítica suburbana, misto de musa e símbolo pop, com forte tom de crítica social e ironia, sendo que seu clipe passava na recém-nascida MTv Brasil constantemente. ATé por isso “Kátia Flávia” tornou-se uma das músicas-símbolo do underground pop do final dos anos 80.
Conclusão
O Rock Brasil Anos 80 foi muito mais que um fenômeno de massas: foi também um laboratório criativo que gerou grandes ídolos e uma constelação de nomes esquecidos. Revisitar Omar e os Cianos, Joe Euthanásia, Aníbal, Telex, Absyntho, Buana 4, Civil e Fausto Fawcett é resgatar um pedaço essencial Rock Brasileiro.
Essas bandas de Rock Nacional mostram como a música dos anos 80 refletiu sonhos, ousadias e contradições do país. Mesmo quando o sucesso foi efêmero, deixaram marcas em coletâneas, trilhas sonoras e na memória de quem viveu aquela década. O BRock foi mais do que música: foi identidade cultural.
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Fontes
- Nelson Motta – Noites Tropicais
- Ricardo Alexandre – Dias de Luta: O rock e o Brasil dos anos 80
- Arthur Dapieve – BRock: o rock brasileiro dos anos 80
- Blogs e acervos especializados em Rock Nacional
- Discografias e coletâneas oficiais da época
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